segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

valter hugo mãe estreou-se no mercado brasileiro

Livros

valter hugo mãe estreou-se no mercado brasileiro

A notícia foi divulgada pela Lusa, segundo a qual os livros começaram já a ser distribuídos nas principais livrarias do Rio de Janeiro e de São Paulo e a previsão é de que as demais cidades recebam também exemplares.
Embora o público brasileiro já conhecesse algumas poesias de hugo mãe, lançadas pelo "Oficina Raquel", em 2009, "o remorso de baltazar serapião" é a primeira novela em prosa a entrar em terras brasileiras.
O feito chamou especial atenção da comunicação social brasileira, com os três principais jornais do país a dar destaque à notícia.
Todos fizeram menção aos elogios feitos por José Saramago, em especial quando disse que valter hugo mãe é um "tsunami literário" e comparou a leitura dos seus textos a assistir ao "parto de uma nova língua portuguesa".
O jornal carioca O Globo dedicou ao escritor uma edição do suplemento "Prosa e Verso" com críticas positivas ao livro e uma entrevista com o escritor, sobre o seu trabalho e a relação com Vila do Conde, onde mora.
"Atraem-me muito as convicções populares, a oralidade das histórias, o modo como o povo inventa, acrescenta e se alimenta de verdades e fantasias misturadas", explica o autor.
O Estado de São Paulo também publicou uma entrevista com o autor sobre a actualidade do mote do romance que, embora se passe na Idade Média, poderia facilmente ser transportado para os dias de hoje.
"O livro é uma ostentação de estigmas sociais que sobrevivem até hoje. Lutamos ainda para que a dignificação deixe de ser um problema de género, mas a cultura continua a exigir do homem uma predominância que atira as mulheres para um poder quase sempre apenas sensual e muito objectificado", avalia.
A linguagem utilizada por valter hugo mãe também foi celebrada entre os críticos. Desde a peculiaridade da opção por letras minúsculas, até o português inventadamente arcaico para justificar o período em que se passa, todas as opções estilísticas do autor foram bem vistas pela crítica.
A chegada de "o remorso de baltazar serapião" foi notícia ainda no diário Folha de São Paulo, que destacou a chegada de novos autores de língua portuguesa ao Brasil, fazendo referência também ao lançamento do jornalista e escritor João Tordo.
Ambos foram classificados como uma "nova geração" de escritores portugueses, com grande "capacidade de internacionalização" e identificados com um período pós-25 de Abril.
valter hugo mãe é esperado no Brasil para a próxima Feira Literária de Paraty, a Flip, de 6 e 10 de julho, na cidade histórica de mesmo nome, localizada no Estado do Rio de Janeiro.
Durante o certame, está previsto também o lançamento de "a máquina de fazer espanhóis", este pela editora Cosac & Naify e com direito a sessão de autógrafos.
(ES)



sábado, 5 de fevereiro de 2011

A verdadeira e maravilhosa história do dragão Samuel

Clube das Histórias
Projecto: Abrir as portas ao sonho e à reflexão
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A verdadeira e maravilhosa história do dragão Samuel
Para lá das montanhas onde o dia acaba, por trás da noite e do escuro, num sítio escuro e muito perigoso, fica o terrível país dos dragões. Foi aí que nasceu o pequeno Samuel, que logo revelou ser um dragão muito especial, embora quem o visse pela primeira vez o achasse igualzinho a todos os outros dragões.
Na aparência geral, Samuel era um bebé lindo e sem nenhum defeito. Muito verde, tinha umas lindas escamas a cobrirem-lhe o corpo, uns olhos enormes, vermelhos e flamejantes, e sete cabeças enormes como é normal entre os dragões. Quando começou a crescer é que as coisas se tornaram muito complicadas para o nosso pobre Samuel.
Como nós sabemos, desde pequeninos que os dragões aprendem a meter medo às pessoas e aos outros animais. E para isso não lhes basta ser verdes e horrendos. Todos os dias têm de comer enormes quantidades de carvão para, depois, deitarem pela boca grandes labaredas que queimam tudo em redor e mantêm à distância os homens e todos os outros animais.
Todos os dragões eram assim. Todos menos o Samuel. O nosso pequeno dragãozinho era igual aos outros dragões em tudo menos numa coisa. Não era capaz de comer carvão. Nem de o cheirar. Mal lhe chegava à boca tinha vómitos e tonturas. Samuel, o pequeno dragãozinho só gostava de comer nuvens. A princípio ninguém deu grande importância ao assunto. Mas, quando chegou à idade de aprender a deitar labaredas pela boca, foi com grande espanto que os pais e todos os outros dragões se aperceberam de que o Samuel, em vez de fogo, deitava rios e rios de água pela boca.
O pobre do Samuel tornou-se alvo da risota de todos os outros dragõezinhos da sua idade. Todos se riam dele e o empurravam e diziam que ele nunca havia de ser um dragão como deve ser. Samuel, o pequeno dragãozinho, vivia muito infeliz. Queria ser igual aos outros e deitar fogo e queimar tudo em redor como faziam os seus camaradas de escola. Mas não era capaz. Só sabia deitar água pela boca. Um fiozinho fino e delicado de água que em vez de assustar as árvores e os arbustos só lhes dava alegria e felicidade.
Definitivamente, Samuel não era um dragão como todos os outros.
Um dia, o Conselho dos Velhos Dragões resolveu mandar chamá-lo. Samuel apresentou-se cheio de medo perante aquele friso solene de velhos dragões onde pontuavam os mais sábios, os mais valentes e os mais fortes de todos os dragões. O mais velho olhou para ele e com a sua voz de trovão ribombante perguntou-lhe severamente:
— É verdade que tu, em vez de fogo, deitas água pela boca?
— É sim... — respondeu Samuel, que não era capaz de mentir mas sentia as pernas a tremer e o chão a tremer e o céu parecia mesmo que ia cair-lhe em cima da cabeça.
Os velhos dragões olharam uns para os outros, desataram a falar baixinho e depressa, e tomaram uma terrível decisão: resolveram expulsá-lo para sempre do país dos dragões. Triste e muito solitário, o pobre dragãozinho Samuel teve de abandonar a sua terra e foi pelo mundo fora sem ter casa para onde voltar, nem cama onde dormir nem sopa quente que o espe­rasse à noite.
Correndo mundo, passaram-se muitos anos. Samuel vagueava por montes e florestas sem meter medo a ninguém, comendo uma nuvem aqui, outra acolá, deitando água pela boca e tornando-se no amigo preferido das gazelas, dos patos, dos peixes e de todos os animais que vivem ao pé da água.
Entretanto, na terra de onde tinha vindo Samuel, os dragões continuavam a comer carvão e a deitar labaredas pela boca. E tanto carvão comeram, e tanto fogo espalharam à sua volta que, a pouco e pouco, acabaram por queimar tudo em seu redor. As flores murcharam, árvores morreram, os rios secaram e o país dos dragões tornou-se num deserto.
Sem flores, nem árvores, nem rios, os dragões perceberam que iam acabar por morrer.
O seu fim aproximava-se a passos largos e o desespero era já muito grande quando um dos dragões mais velhos e mais sábios se lembrou do Samuel, o dragão que deitava água pela boca e que por isso mesmo tinha sido expulso para sempre daquela terra. Só ele é que podia salvar os dragões. Partiram vários emissários que correram montes e montanhas, vales e florestas até que encontraram o dragão Samuel.
Não foram precisos muitos pedidos para fazer o dragão Samuel voltar. É verdade que sentiu uma dor no peito quando encontrou de novo aqueles que o tinham expulsado da sua terra. Mas, como não era capaz de guardar raiva no coração, dispôs-se a ajudar os seus irmãos.
O dragão Samuel desatou a comer nuvens e a deitar água pela boca. E, num ápice, inundou de água o país dos dragões. Os lagos voltaram a encher-se, os rios voltaram a correr caudalosos, as árvores voltaram a crescer grandes e frondosas, as flores voltaram a sorrir ao orvalho da manhã.
Os dragões não tinham ficado muito diferentes. Continuavam a deitar fogo pela boca. Se não o fizessem não eram dragões. Mas aprenderam a não queimar mais árvores do que aquelas que eram necessárias e, assim, não deixar a água chegar ao fim.
Encontrado o equilíbrio, os dragões viveram de novo felizes e, no meio de um lago redondo, ergueram uma estátua de homenagem ao dragão Samuel. Da boca da estátua sai um fio de água que está sempre a correr, e aos domingos todos os dragões vão atirar bolinhas de pão aos peixes vermelhos que nadam em redor, muito satisfeitos.
José Fanha
A noite em que a noite não chegou
Porto, Campo das Letras, 2001
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A Equipa Coordenadora do Clube das Histórias

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Metropolitana propõe Haydn e Beethoven para o fim de semana

Concertos

Metropolitana propõe Haydn e Beethoven para o fim de semana

Haydn e Beethoven estarão na Casa do Povo de Aveiras de Cima no dia 5 de Fevereiro e no Teatro Municipal de Almada no dia 6 num concerto da Orquestra Metropolitana de Lisboa que, sob a direcção do maestro Pedro Neves e com Jill Lawson ao piano, interpretará a Sinfonia n.º 6 em Ré maior, Hob. I:6, e Sinfonia n.º 45 em Fá sustenido menor, Hob. I:45 de Haydn e o Concerto para Piano e Orquestra n.º 2 em Si bemol maior, Op. 19 de Beethoven.
Pouco tempo depois de entrar para a corte do príncipe de Esterháza, Haydn (1732-1809) surpreendeu a cena musical com uma inovadora escrita orquestral, conferindo a cada instrumento um destaque nunca antes visto. Na sinfonia «A manhã», estreada em 1761, compôs um raro solo para contrabaixo e fagote, entre outros que exigem dos músicos da orquestra a mais ampla demonstração das suas qualidades técnicas. A relação que Haydn mantinha com os seus músicos foi a partir daí sempre muito próxima. A «Sinfonia do Adeus» foi a voz de protesto para que estes reivindicassem a sua visita às famílias que se encontravam em Viena. No final, cada um apagou uma vela retirando-se sucessivamente do palco, enquanto os restantes continuavam a tocar. No final, o palco ficou vazio.

Já a reputação de Haydn era incontestada quando o jovem Beethoven (1770-1827) se mudou para Viena, no ano de 1792, com a ideia de melhorar junto do mestre os seus conhecimentos musicais. Porém, o virtuosismo ao piano era o seu maior cartão de visita. Este talento não poderia deixar de passar para as obras que escreveu para o instrumento. A composição deste seu segundo concerto para piano faz bem prova disso.



Zita Ferreira Braga

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Amazônia tem 135 quilômetros quadrados de área desmatada em dois meses

Amazônia tem 135 quilômetros quadrados de área desmatada em dois meses

Os dados têm como base imagens feitas por satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Da Redação, com Agência Brasil

Brasília – O Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) registrou, nos meses de novembro e dezembro do ano passado, um total de 135 quilômetros quadrados (km²) de área desmatada na Amazônia. Os dados têm como base imagens feitas por satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O sistema registra áreas de corte raso, quando os satélites detectam a completa retirada da floresta nativa, e também áreas classificadas como de degradação progressiva, que revelam o processo de desmatamento na região.

O Deter funciona desde 2004 como um sistema de alerta para suporte à fiscalização e controle de desmatamento e detecta apenas polígonos de desmatamento com área maior que 25 hectares. Os resultados são enviados quinzenalmente ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), responsável por fiscalizar as áreas de alerta.

HENRIQUE RIBEIRO E O SOM DAS PALAVRAS




"Filmes da nossa Memória" em Reguengos

Cinema

"Filmes da nossa Memória" em Reguengos

O concerto "Música e Cinema" está marcado para sábado à noite no auditório municipal da cidade, com as actuações de Patrizia Giliberti e Mauro Dilema ao piano e de Jorge Caeiro no acordeão.
Neste espectáculo serão interpretadas, exclusivamente, músicas de bandas sonoras de filmes, como "Amarcord" (película de Federico Fellini), de Nino Rota, "A Lista de Schindler", de John Williams, mas também melodias de sucessos cinematográficos compostas por Carlos Gardel, Astor Piazzolla, Ennio Morricone, George Gershwin e Nicola Piovani.
"A Menina da Rádio", comédia portuguesa realizada por Arthur Duarte em 1944, é a primeira película do ciclo de cinema e será exibida no domingo, pelas 17:00. Este filme é interpretado por Maria Eugénia, Óscar de Lemos, Ribeirinho, Maria Matos e António Silva, entre outros.
No dia 12 será exibido "Fado, História de uma Cantadeira", filme realizado por Perdigão Queiroga em 1948 e que levou ao grande ecrã a musa do fado Amália Rodrigues, enquanto no dia seguinte, será apresentada a fita "Rosa de Alfama", realizada por Henrique Campos em 1953.
O quarto filme, no dia 19, será "O Grande Elias", de 1950, do realizador Arthur Duarte e onde se destacam artistas como António Silva, Milú e Francisco Ribeiro.
"O Costa do Castelo", uma das mais populares comédias portuguesas de sempre, também realizada por Arthur Duarte, será exibida no dia 20.
No último fim-de-semana do ciclo, a dia 26, será exibido "A Canção de Lisboa", o primeiro filme sonoro português e que curiosamente não foi realizado por um cineasta, mas sim por um arquiteto, José Cottinelli Telmo, em 1933.
A fechar o ciclo de cinema, no dia seguinte, estará a longa-metragem "O Leão da Estrela", de 1947.
Todas as películas que integram o ciclo de cinema português "Filmes da Nossa Memória", promovido pelo município local, têm entrada gratuita.
(ES)