domingo, 19 de julho de 2009

RAIZONLINE Nº30 – Em Setembro sai o Regulamento da Seleção do Jornal. Abertas desde já as pré-inscrições.

RAIZONLINE Nº30 – Em Setembro sai o Regulamento da Seleção do Jornal. Abertas desde já as pré-inscrições.
Faleceu a Poetiza Lenya Terra
Barack Obama diz a Africa: «yes, you can»
Igreja nas Honduras condena golpe de Estado
Piadas Decentes
FIFA quer proibir manifestações religiosas no Mundial de 2010
Horta Comunitária 713 Norte - Brasília por Sandra Fayad
Brasileiros legais em Portugal são mais de 106 mil
Lula recebe Prémio Houphouet-Boigny
Florianópolis vai inaugurar centro de cultura açoriana
COLUNA DE ABILIO LIMA
Noticias e decisões da União Europeia por Abilio Lima
Geração de emprego formal no Brasil cai 78% no 1º semestre
Energia das Ondas - Peniche conta com três milhões de euros para investigação em energia das ondas
Desemprego entre portugueses aumenta em Espanha e na Alemanha
Poesia de José Manuel Veríssimo - Lá do Oceano Índico ou Sobre uma noite na Internet, Ninhos e Desejos , Noite na Praia - sobre uma noite na Manta Rota em 1997.
Jovens e mães - Crónica de Sara Daniela Coelho da Silva
Doze portugueses no estrangeiro distinguidos com Prémios Talento 2008
Igreja de Fátima ganha «Nobel» da Engenharia
Coluna Poética de Laila Murad - Acróstico - Amigo, Almas Afins, AMIZADE VERDADEIRA, Vem Amor
O mendigo e eu - Eu e o mendigo - Crónica de José Pedreira da Cruz
Coluna de Rosa Pena - Haoli - Para Larry Rohter.
Crónicas encadeadas - De Fragmento em Fragmento - do ACAS ao João da Praia - Por José Pedreira e Crónica (Carta Aberta) de João Furtado sobre a Crónica de Antônio Carlos Affonso dos Santos - Acas -Texto a respeito do João Furtado e de Uma Composição em Inglês ou O João da Praia
A Santa e a Leitoa - Crónica / Causo de Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS-
Histórias da Vida Real, Crónicas por Martim Afonso Fernandes, Apelidos dados a automóveis e até a pessoas...
Histórias da Vida Real - Crónicas por Martim Afonso Fernandes - João Rosa, eu e o Bem - te -vi.
Coluna de Haroldo P. Barboza - Heróicos Mi(si)nistros. O espelho da sociedade.. Rumo ao Haiti.
O ORACULO - Crónica de João Furtado
Passeios por Lisboa II Por Francis Raposo Ferreira
Estrada de ternura.- Poema de Arlete Deretti Fernandes
Coluna de Antônio Carlos Affonso dos Santos. ACAS, o Caipira Urbano. - A segunda vez que tentei fazer a Primeira Comunhão.
Amanhã poderá ser tarde demais, Considerações de Sá de Freitas
JURANDIR DO SAX por Sandra Fayad
Uma Composição em Inglês - Crónica de João Furtado
Crónica de Cecílio Elias Netto - Jornal a Provincia de Piracicaba - José Alencar, um bravo.
Poemas de Ilona Bastos - Sonhos Coloridos - No Rossio Eram Gaivotas
Crónicas da Minha Terra- Por Arlete Piedade - Festa na Aldeia.
Coluna Um - A Selecção dos melhores textos do Raiz Online - Abertas as pré-inscrições - Daniel Teixeira
Coluna de Arlete Piedade - 15 de Julho - Dia Internacional do Homem.
Cartas ao Director
Crónicas do Oriente - Por: António Cambeta - Macau / Tailândia, SUTHORN PHU - O «Camões» Tailandês - Mariza em Macau em Setembro.
Crónicas «Ver e Sentir» XXX - Cristina Maia Caetano
Dois Poemas por Denise Severgnini (PORTO ALEGRE, ONDE EU NASCI - SAUDADES DO POETA VALERIANO )
A Coluna de Jorge M. Pinto - Casos ao Acaso - Repositório de episódios vividos
COMO ANALISAR E SELECIONAR DA MELHOR MANEIRA OS TEXTOS DE LITERATURA INFANTIL. Por Arlete Deretti Fernandes
JORNADA CREPUSCULAR - QUE NOVO FUTURISMO? - Crónica por Mário Matta e Silva
DESABAFO DE UM PROFESSOR - Por Cristina Ubaldo
Joaquim de Fiore e August Comte - Texto de Daniel Teixeira
O ANO EM QUE ZUMBI TOMOU O RIO, de José Eduardo Agualusa, Por Arlete Deretti Fernandes
Considerações sobre a Sublimação - Texto de Daniel Teixeira
Estudos de Gênero - por Arlete Deretti Fernandes
A cegueira dos ciúmes - Poema de Pequenina
ESCOLA COMBATE OU REPRODUZ O PRECONCEITO?- Tese de Cristina Ubaldo
ENSINO DA LINGUAGEM NA ESCOLA. Por Arlete Deretti Fernandes
O Calendário - Conto Por Arlete Piedade
Os Ciúmes da minha Sobrinha - Conto por Anha ( Ana Isabel Pereira Neves)
Coluna de Liliana Josué, QUANDO AS FOLHAS CAEM
O Choque Tecnológico - Conto Humor por Por Michel C.
Apesar de você - Conto de Cristina Ubaldo
Os homens também choram! Conto Por Arlete Piedade
A Cotovia da Minha Rua - Conto de Armando Sousa
POEMAS DE SANDRA FAYAD - BIOGRAFIA DA TERRA - FUTURO DO PRETERITO
Coluna Poética de Sá de Freitas - EU NEM SONHAVA, EM NOSSA ESTRADA, Já não vejo Jesus...
Poema de João Furtado - CIRCULO DA VIDA
Maria da Fonseca - Poemas - Carnaval No Rio - 2005
Luz que não se apaga. Poema de Arlete Deretti Fernandes
Na gruta do esquecimento - Poema de Pequenina
A Coluna de José Geraldo Martinez - COMBINEMOS!(Poema)
Prosas Poéticas - Por Ilona Barros - Olhares
Poemas - Por Maria Petronilho - As cores do sol- Branca espuma - Serpente emplumada
Coluna de Jorge Vicente - Sombra das Paredes - Poema - nuvem - Poema- The Gersch (The Gersch) - Música.
COLUNA DE MARIA PETRONILHO - O que se passa com o lince? (Artigo) - Presságio (Poema) - Das camélias (Poema)
Mantenho em mim… Poema da autoria de Pequenina
Dueto José Geraldo Martinez - Eugénio de Sá - ALI NO ONTEM...(Martinez) - LA CUMPARSITA, Respondendo a Martinez, Eugénio de Sá
Coluna Poética - Patrícia Neme - Renúncia - Pai Nosso, Prece do Trabalhador
Quando eu chegar - Poema por Por Armando Sousa - Toronto, Ontário, Canada
Poesia de Mário Matta e Silva - Instantes de emoção - Prisma do Amor - PRECISO ESCREVER
Dueto Poético Francis Raposo Ferreira - Arlete Piedade . Paixão Versus Amor - Paixão e Amor
Cantora Margareth do Rosário considera vantajoso intercâmbio no Brasil
Os Poemas de (Anha) Ana Isabel Pereira Neves (A LUZ DO DIA e SEM TI SEREI.
5ª Semana do Escritor de Sorocaba e Região começa na próxima semana com grande festa
XV Bienal de Arte de Cerveira traz mais de 80 artistas
«Terroir / Graffiti» - Faculdade de Ciências e Tecnologia (UNL) até 11-09-2009
Festival Internacional de Saxofone de Palmela
Verdade - Poema / Prosa Poética de Ilona Bastos
Prémio Matilde Rosa Araújo nos países lusófonos
Países de língua portuguesa inspiram projecto «Nossa Língua, Nossa Música»

terça-feira, 19 de maio de 2009

Eleições Europeias 2009 - Internautas portugueses - Lá se fazem cá se pagam

Eleições Europeias 2009 - Internautas portugueses - Lá se fazem cá se pagam



Atenção pois ao dia 7 de Junho


Olá.

Em virtude de estarmos com as eleições europeias a porta, julgo ser da mais alta importância que todos nós saibamos o que os actuais deputados europeus eleitos por Portugal andam por lá a fazer.
Certamente ja ouviram falar na questão da internet, que actualmente é livre mas que o parlamento europeu apresentou uma proposta com o objectivo de as operadoras passarem a decidir quais os conteudos que disponibilizariam aos seus clientes, ou seja, queriam transformar a internet numa especie de tv por cabo onde cada operadora decide que canais e que disponibiliza.
Pessoalmente ja considero ridiculo so o facto de tal proposta ter sido apresentada, pois estamos em pleno seculo XXI e gosto de pensar que a censura e uma coisa do passado, mas infelizmente ha quem não concorde comigo e teime em insistir em censurar o que quer que seja.
A votação foi relativa a quem concorda com a internet livre (a favor), a quem não concorda (contra) e a quem não tem opinião(!) (abstenções) !!
Nada nos garante que "escapemos" na proxima vez.
Dai a relevância dos seguintes dados:

407 votos a favor

GUE/NGL: Ilda Figueiredo, Miguel Portas, Pedro Guerreiro
PPE-DE: Ribeiro e Castro
PSE: Ana Gomes, Armando França, Edite Estrela, Elisa Ferreira, Emanuel Jardim Fernandes, Francisco Assis, Jamila Madeira, Joel Hasse Ferreira, Manuel dos Santos, Paulo Casaca


57 votos contra

PPE-DE: Assunção Esteves, João de Deus Pinheiro, Vasco Graça Moura

171 abstenções

PPE-DE: Duarte Freitas, Luís Queiró, Sérgio Marques, Silva Peneda

Para quem não sabe, o PPD-DE é o partido onde estão os deputados portugueses eleitos pelo PSD e pelo CDS-PP.

Tenham isto em conta nas proximas eleições, eu sei que vou ter !

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Notícia sobre uma notícia - Trabalho e descentralização

A notícia segue abaixo, foi obtida no Jornal Notícias e durante o meu texto faço referências a ela: quem quiser ler a notícia objecto deste comentário primeiro é dar um anti-saltinho abaixo.

A questão trata da descentralização da contratação de trabalhadores estrangeiros em Moçambique e tem o seu interese pelas reflexões a que obriga. Quem se sente ferido, entre aspas, com a medida de alteração do processo de contratação, tem as suas razões, certamente, mas neste caso a lógica do governo moçambicano também não está errada.

Pretende-se que o contingente de trabalhadores estrangeiros contratados pelas empresas seja quotizado localmente e não a nível central como até agora tem acontecido. Por exemplo uma empresa (ou uma ONG que também estão em questão aqui) podia ter numa dada localização um contigente global de trabalhadores estrangeiros ou deslocados de outras regiões e acabarem por não contratar um único trabalhador local.

Agora a percentagem de estrangeiros ou deslocados (que não são aqui tidos em conta estes últimos senão pelo facto de desocuparem trabalhadores locais - provinciais) tem uma relação directa com o número de trabalhadores locais contratados.

Podem colocar-se várias questões, mas a ideia, lá bem no seu fundo está certa: pode não haver, a nível provincial, trabalhadores qualificados para dadas funções, limitando assim o desenvolvimento qualitativo local, mas também se pode ver a inversa em que uma dada terra é «invadida» por uma multidão de estrangeiros ou moçambicanos de outras províncias ficando para os trabalhadores locais o trabalho mais simples e menos especializado.

Ora isso obrigará à qualificação dos trabalhadores locais disseminando assim desta forma essas mesmas qualificações e especializações.

Por outro lado, a descentralização, num país imenso como é Moçambique, com centenas de especificidades locais, sairá enriquecida, quer pela implantação de estruturas com base em mão de obra local, fomentará um melhor diálogo entre as populações e as empresas ou ong's e contribuirá para anular algumas das selvejarias de que têm sido objecto trabalhadores da saúde (e outros), por exemplo, acusados (injustamente como é claro) não de tratar doenças mas sim de disseminar doenças.

Agora o que deveria haver, isso sim - e coloco-me numa posição de razoabilidade - seria um período intermédio para que as empresas e as organizações pudessem reajustar os seus sistemas sob risco, entre outros, de desempregar porque vindos de Maputo trabalhadores igualmente Moçambicanos para admitir os trabalhadores locais.

É que a descentralização não anula o conceito da nacionalidade...

Daniel Teixeira


Segue notícia:

Contratação de estrangeiros inquieta embaixadas e ONG

A DESCENTRALIZAÇÃO dos procedimentos na contratação da mão-de-obra estrangeira e a questão das quotas atribuídas às instituições e empresas para as províncias onde operam, com base no Decreto 55/2008, levantou algumas inquietações por parte das órganizações não-governamentais e embaixadas, que parece ainda não perceberem o que se pretende.

Com o objectivo de divulgar este diploma que estabelece novos mecanismos, o Ministério do Trabalho reuniu-se ontem com as representações diplomáticas e mandatárias de outras instituições afins para os devidos esclarecimentos e harmonização de procedimentos.

O novo instrumento legal precisa que a contratação de mão-de-obra estrangeira passa a ser feita a nível provincial, contrariamente ao que vinha acontecendo na lei antiga, onde tudo era tratado centralmente. O novo diploma atribuiu responsabilidades acrescidas às direcções provinciais do Trabalho.

Por outro lado, as quotas para a contratação de estrangeiros devem ser com base nos trabalhadores afectos a nível da província onde uma determinada organização ou empresa se encontra representada, o que levantou alguma inquietação por parte das ONG que pretendiam que fosse considerado o global dos trabalhadores que empregam.

De acordo com Afonso Zita, coordenador do Trabalho Migratório no Ministério do Trabalho, tal procedimento não pode ser considerado, pois poderia acontecer que numa determinada província fossem empregues somente estrangeiros em detrimento dos nacionais, uma vez que podiam ser contratados em Maputo, por exemplo, e serem enviados para uma província qualquer.

“Explicámos que as quotas devem ter como base o número de trabalhadores que estão na sua representação na província e não no global e as direcções provinciais dos Trabalho têm a competência de autorizar as devidas contratações. Mas percebemos que o que eles pretendem era que fosse tomado em consideração o número de trabalhadores que possuem, o que estaria contra a legislação. Queriam que déssemos algumas excepções, mas nada podemos fazer que não esteja previsto no diploma sobre a matéria, sob o risco de incorrermos numa ilegalidade.
Acordámos no final que deveríamos ter mais um encontro de esclarecimento, mas o que devemos observar é a aplicação da lei. Se chegarmos à conclusão de que esta está a ser mal aplicada poderemos mudar a estratégia”, disse Afonso Zita, para quem tudo será feito para não prejudicar nenhuma das partes interessadas e nem a lei.

Conforme disse, os esclarecimentos do Decreto 55/2008 vão prosseguir, estando previstos para breve encontros com outras instituições e empregadores, através da CTA, o que poderá resultar numa maior compreensão do espírito e as formas de implementação deste dispositivo legal, que advoga a descentralização e desconcentração de competências nesta matéria.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Mia Couto e Obama

Mia Couto (escritor Moçambicano)


Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.

Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.

Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.

Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.

E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?

1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.

2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.

3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.

4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).

5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas - tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.

6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.

Inconclusivas conclusões Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.

Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.

A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa. Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.

No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de politicos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.

Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.

Semanário Moçambicano "SAVANA" - 14 de Novembro de 2008

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Uma coisa que me preocupa

Há muitas coisas que me preocupam e esta que vou falar hoje até não é daquelas que me preocupa mais mas merece um reparo, na minha opinião. Trata-se da questão da habituação técnica das pessoas à net, aos computadores, aos telemóveis, enfim, a tudo aquilo que se chama de novas tecnologias.

Não há muitos anos fiz uma viagem a Ceuta (ainda era no tempo em que se fazia um na altura inocente ou pelo menos tolerado contrabando de relógios, máquinas fotográficas, etc). Há várias coisas que gostaria de contar sobre esta viagem.

Fiz mais viagens com este destino, mas esta foi a única que não foi em família...quer dizer, foi com amigos, sócios de uma empresa onde eu trabalhava na altura e em face dos bons resultados da semana, ou da quinzena, ou do mês (não me lembro) resolvemos que a empresa nos devia uma viagem e como tinhamos pouco tempo disponível vá de Ceuta, passando por Torremolinos e etc. Era assim, nesse não muito longo tempo...

Oficialmente fomos em prospecção de mercado, para compras, e embora não tivessemos a ideia de instalar uma secção de contrabando, estávamos na disposição de descobrir em Espanha alguma coisa que pudessemos importar, em pequenas quantidades para começar, e depois logo se via.

A viagem começou com um "maluco" a conduzir: o carro era bom e as estradas também e a princípio ainda alvitrei um menor peso no pedal, mas de nada valeu: a sugestão viveu para aí uns dois minutos e agora que me lembro melhor, cheguei a achar que seria uma pena não aproveitar quer o carro (que ronceirava nas estradas portuguesas - foi antes do Cavaco) para lhe dar um pouco de caixa de ar.

Por outro lado defendi também a tese, aparentemente estúpida, de um conhecido médico aqui da minha cidade que achava que os cruzamentos eram para passar à maior velocidade possível, porque quanto menos tempo a gente estivesse lá menor era a possibilidade de haver um choque...por isso, quanto mais depressa aparcássemos na nossa etapa, melhor era, nesta perspectiva.

Voltarei a esta história, mas o que interessa aqui é que um desses sócios resolveu comprar um relógio em Ceuta ao qual só faltava falar, como se costuma dizer: ele era relógio, cronómetro, altímetro, media a temperatura do ar, do portador e, calcule-se, tinha uma máquina de calcular científica que só era manejável com a ponta da esferográfica.

Ora esse sócio não era propriamente um barra nem em matemática nem em contas: a sua função era vender, o que fazia bastante bem - diga-se - pelo que eu lhe perguntei: mas para que quer você isso tudo? Você só vai ver as horas, o resto não utiliza, ao que ele respondeu: mas pode fazer falta. Podia de facto fazer falta um dia mas custava o dobro de um relógio normal...

Bem, o manuseio da coisa (da máquina de calcular) era complicado em termos de acessibilidade, requeria uma pontaria grande e a maior parte das funções da máquina científica não eram de uso corrente, mas como cada um faz com o seu dinheiro aquilo que entende, achei melhor ficar por ali. Passada uma semana já ele andava a tentar trocar aquele "catramolho" como lhe chamava vendo se arranjava alguém que apreciasse as qualidades da sua máquina.

Pois isto serve para dizer que às vezes fico surpreso quando me apercebo que uma pessoa, relativamente nova e inteligente, não sabe mandar mensagens de telemóvel, que não sabe mexer num computador (nem mesmo o básico)...fico surpreso porque acho que se as pessoas são inteligentes têm de ser inteligentes em tudo.

Eu não sei fazer tudo e há coisas nas quais ainda não mexo, mas estes tempos modernos fizeram-me abrir os olhos nalgumas coisas. Cada vez há menos coisas que mando fazer e embora aprecie muito quem trabalha e quem tem a sua profissão, quantas vezes adquirida ao longo de períodos extensos de prática, leio as instruções das coisas e progressivamente vou aumentando o meu grau de autonomia no que se refere a pequenos arranjos.

Não basta ter as coisas...é preciso conhecê-las...

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Comunidade Vida e Paz: 20 anos de ajuda aos sem-abrigo


A Comunidade Vida e Paz celebrou este Sábado 20 anos de ajuda aos sem-abrigo. Um trabalho iniciado pela conjugação de sensibilidades e acompanhamento aos pobres de Lisboa no final da década de 80.
Em 1989 o então Patriarca, D. António Ribeiro, promulgou os estatutos e deu forma jurídica à Comunidade Vida e Paz que no terreno já acompanhava pessoas em situações de fragilidade social.
O Vice-Presidente da Direcção, Júlio Neves, recorda ao programa Ecclesia que em 1992, o Estado, através do Comissariado da Luta Contra a Pobreza, conferiu um subsídio que permitiu a Comunidade crescer. “Actualmente, a Comunidade Vida e Paz tem sede no centro de Lisboa, em Alvalade, e dispõe de três centros de recuperação, tratamento e reinserção de pessoas, preparados para acolher 270 pessoas.
“Dispomos de instrumentos que nos permite trabalhar pela reinserção das pessoas”, adianta Júlio Neves, propondo a reinserção social que respeite a dignidade e vá de encontro às necessidades da pessoa humana.
A Comunidade Vida e Paz dispõe de 100 profissionais que ajudados por cerca de 400 voluntários estão disponíveis para ouvir e acompanhar a realidade dos sem-abrigo.
Todas as noites saem três equipas em carrinhas que percorrem as ruas da cidade de Lisboa, contactando os sem-abrigo, levando alimentos e vestuário, mas “essencialmente disponíevis para conversar e estar com eles, mostrando-lhes ser possível mudar a sua vida”.
Celestino Cunha, psicólogo da Comunidade Vida e Paz, responsável pelo trabalho de rua e pelas admissões dos sem-abrigo, acompanha esta franja da população na cidade de Lisboa desde 1993. “Acompanhei a chegada das equipas ao trabalho de rua e à sua procura na forma de melhor ajudar os sem-abrigo”.
Pela experiência que tem, acompanhou as mudanças que a actual crise desencadeou, nomeadamente no aumento dos pedidos de ajuda e na mudança da população que acompanham. “A mais visível engloba as famílias que sentem dificuldades para colmatar necessidades mais básicas e que, pela primeira vez, procuram ajuda”.
Os pedidos de ajuda aumentam e, sensíveis às dificuldades, também as respostas parecem crescer. Celestino Cunha aponta que “toda a ajuda é bem vinda”. As ajudas menos profundas ou as motivadas por más razões “não ficam 20 anos”, adverte. “As ajudas que prevalecem têm uma base de confiança e respeitam as necessidades objectivas das pessoas”.
Chegar à situação de sem abrigo relaciona-se com a falta de esperança, “a perda de ânimo e de vontade”. O trabalho em rede “pode ajudar a não chegar a esta fase”, explica o psicólogo. Júlio Neves adianta que a comunidade trabalha com as pessoas mais frágeis da sociedade. “No nosso pensamento está a sua condição humana sempre presente. São sempre pessoas. E por isso, têm sempre condições de recuperação. Tentamos que a sua vida seja o mais digna possível”.
É para dotar de dignidade as pessoas que se vêem sem ela que Paula Bonifácio é voluntária na Comunidade Vida e Paz. Esta voluntária participa na equipa que prepara os lanches e também numa das equipas da ronda nocturna.
Paula Bonifácio foi inicialmente surpreendida pela “quantidade de pessoas que estão nas ruas”. Passada a impressão inicial, vê “cada vez mais pessoas, pobres envergonhados diferentes dos habituais sem-abrigo, que , apesar de constrangidos, se dirigem às carrinhas pedir alimentos diários”.
Assume que enquanto cidadã este trabalho é essencial. “Devemos ser activos na sociedade e ajudar os outros”. Também enquanto católica “faço um pouco o que Jesus fez, que é ajudar os outros, em especial os que mais precisam”. Paula Bonifácio acredita que este trabalho “torna-se mais gratificante para mim do que para as pessoas que ajudo”.
Nacional Agência Ecclesia 20/04/2009 17:42 3726 Caracteres
65 Solidariedade